Um viva às mulheres guerreiras, só que não


Sempre gostei da palavra guerreira e admirei mulheres guerreiras.

Até que me disserem uma vez - "Ela é guerreira, ela aguenta". Em vez de me sentir orgulhosa de mim, senti que tinha levado um soco no estômago e que caí.

Passei a detestar esta palavra. 

O estereótipo da mulher guerreira é aquela que aguenta tudo e com tudo, é aquela que não cai, que não precisa de ninguém nem de ajuda.

Pois não é, mulher guerreira é mulher, aquela que lhe dói como te dói a ti, a que sofre como tu sofres, a que chora e grita, a cai inúmeras vezes, a que vai ultrapassando os obstáculos e que tropeça no quinto e depois vai contra todos os outros, e que por incrível que pareça também sente, só que as expectativas são grandes e parece que nada a derruba, só que não.

Eu quero ter a coragem de deitar a toalha ao chão, dizer que não consigo mais, ficar deitada no chão o tempo que eu quiser ficar e não ter que me levantar para acudir alguém.

Quero respirar sem me sentir a hiperventilar.

Viver sem ser a supermulher.

Ter gosto pela minha vida, ansiar por fazer coisas mas as minhas coisas.

Mandar-vos à merda e seguir em frente.

 

Testemunho de uma mulher guerreira que é apenas uma mulher!


 

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